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Oficina Pedagógica reúne mais de 200 pessoas em Sapiranga
O Integrar é desenvolvido em parceria com a Prefeitura e Sindicato dos Metalúrgicos de Sapiranga
O Prof. Renato Meireles falou sobre o CEFET e a parceria na certificação desde 1997
25/08/2008


A oficina pedagógica realizada em Sapiranga no dia 22 de agosto reuniu, no Centro Municipal Dr. Décio Gomes Pereira, parceiros históricos como o Instituto Integrar, o Centro Federal de Educação Tecnológico de Pelotas e o Sindicato dos Metalúrgicos, com a presença do mais novo parceiro a prefeitura de Sapiranga. Encontro fecundo que possibilitou aos presentes assistir uma bela apresentação, que iniciou com o Hino Nacional cantado por todos os presentes e a seguir a educadora Marciana acompanhada de seu violão cantou e encantou a platéia com o Hino de Sapiranga.

O espaço estava repleto de educandos do curso do ensino fundamental, que acontece a partir da parceria entre o Instituto Integrar, a Prefeitura de Sapiranga e o Sindicato dos Metalúrgicos, com a certificação do CEFET. A educadora Marione estava encarregada do protocolo, e após os Hinos do Brasil e de Sapiranga convidou a turma da educadora Cíntia a se apresentarem; com o canto “para não dizer que não falei de flores”, acompanhada pelo violão da educadora Marciana. A seguir dois educandos, egressos do curso fundamental e que hoje cursam o ensino médio, deram o relato sobre o curso que concluíram. O educando Antônio Catani dizia: “Plantamos uma semente que germinou; vínhamos para a escola após um dia de trabalho, passamos as férias estudando, mas valeu a pena. Não é fácil estudar e trabalhar, mas é possível e vale a pena. Há um ano atrás eu pensava que o estudo não era importante, hoje eu penso diferente e vejo o quanto o estudo é importante, e o quanto nós precisamos dele. Estou feliz por estar estudando e ser um exemplo para meus filhos”. O educando Saulo Aurélio Oliveira contou que parou de estudar aos 15 anos de idade e que só tinha a agradecer a oportunidade que recebeu com este curso e da pessoa compreensiva que encontrou na educadora Carina que sempre foi presença constante no seu aprendizado. E concluiu dizendo: “Quando queremos alguma coisa, não importa quão distante ela esteja, devemos correr atrás e ir buscar”.

O presidente do sindicato dos metalúrgicos Mauri Schorn relembrou o inicio do Programa Integrar em Sapiranga, no ano de 1997. Colocou sobre a luta dos metalúrgicos desempregados para poder concluir o ensino fundamental. Para isso buscaram o apoio da Confederação Nacional dos Metalúrgicos/CUT para ajudarem nesta empreitada. E foi o que a Confederação fez, construiu o Programa Integrar que formou milhares de trabalhadores em todo o Brasil.

O coordenador estadual do Instituto Integrar Paulo Chitolina retomou o papel do Instituto, os diferentes cursos já propostos e concluídos e a quantidade de trabalhadores que passaram por estes cursos. Dizia ele: “A partir de 2007 fizemos um convênio com a prefeitura municipal de Sapiranga, e no ano passado formamos 131 educandos tendo 90% dos matriculados concluintes. Neste ano nós temos 179 educandos em sala de aula. Mas eu sempre digo que só concretizamos nossa metodologia graças ao trabalho dos educadores. O Cefet sempre foi nosso parceiro nos cursos de ensino fundamental. Nós sabemos da luta dos trabalhadores em ter que trabalhar e estudar, principalmente as companheiras mulheres que tem tripla jornada de trabalho (a fábrica, a casa, a escola). Mas como dizia o educando anteriormente, nós trabalhadores também sabemos o quanto estudar é importante, é por isso que lutamos para termos direito a continuidade dos nossos estudos. Estudar nos possibilita refletir sobre a vida, teorizar, emitir opinião e construir conhecimentos. É por isso que nós metalúrgicos continuamos batalhando por educação, pois este é um direito de cidadania”.

A seguir o professor e diretor de relações Empresariais e Comunitárias do Centro Federal de Educação Tecnológico de Pelotas (CEFET), Renato Lousada Meireles falou sobre a parceria com o Instituto Integrar que é de longa data, e que a sua instituição só certifica, fora das suas escolas, os educandos do Instituto Integrar, por este ter demonstrado responsabilidade, seriedade e boa metodologia educacional. O educador Renato apresentou para os presentes o que são os Centros Tecnológicos Federais, as Escolas Técnicas, sua função, autonomia, trabalho e cursos desenvolvidos. Fez um resgate histórico de quando começaram as escolas federais. Dizia ele que o Centro Federal de Pelotas é parte de uma rede de outros Centros e Escolas, e todos são vinculados ao Ministério da Educação. O Centro Educacional de Pelotas dialoga com mais ou menos 1200 empresas onde seus educandos são colocados para estágios e alguns encaminhados para trabalho após término de curso. Fez uma passagem pelo mundo do trabalho e suas mudanças tecnológicas, e colocou qual é o papel da escola neste universo do trabalho. Dizia ele: “o mundo do trabalho requer da escola que desenvolva em seus educandos habilidades básicas como: leitura, escrita, operações matemáticas, e espera que os mesmos sejam capazes de saber ouvir, saber falar, executar operações, serem críticos, capazes de tomar decisões, solucionar problemas e saber aprender.” Para concluir o professor Renato frisou: “A escola precisa trabalhar nos educandos a responsabilidade, a auto-estima, a sociabilidade, o auto-gerenciamento, a integridade e a honestidade. E os educandos precisam querer conhecer, fazer o que é necessário e saber conviver em grupos”.

Além das apresentações todos puderam observar a exposição de trabalhos feitos pelos educandos das cinco turmas. Eram maquetes construídas que materializavam parques, escolas, praças, museu, fazendas, parque do imigrante, entrada da cidade e sobre as regiões do Brasil. Eram poesias, livros de leituras construídos pelos educandos, alguns sobre as histórias de vida, outros sobre diferentes e variados assuntos estudados em sala de aula. Eram cartazes sobre o corpo humano, ecossistemas e suas diversidades, artesanatos, um trabalho geométrico a partir da releitura da obra de Kandisky, era terrário para observar o ciclo da água, imagens, fotos, reciclagens, alimentos, produtos químicos e a saúde, meio ambiente, histórias em quadrinho, entre tantos outros maravilhosos trabalhos.

Tudo de belo que assistimos e vimos na oficina foi obra do trabalho dos educadores Alexandre Machado, Cíntia Junchem, Marione Castro, Rosane Sebastiany e Carina Schmitt, com a contribuição da coordenadora de EJA da SMED, Ilca Barros.

Após o término da oficina pedagógica a coordenadora técnica do Instituto Integrar dizia que assistir um trabalho como este revigora as energias para continuar batalhando por uma educação de qualidade para jovens e adultos. E o que mais admirava é a “garra” destes trabalhadores, pois mesmo cansados de um dia de labuta vêm para a escola e produzem diferentes e variados trabalhos, o que demonstra a vontade de aprender.


Por: Soloá Citolin

 
   
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