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Lula nega denúncia de Gilmar Mendes sobre Mensalão
29/05/2012

Por meio de sua assessoria de imprensa, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva desmentiu a versão publicada pela revista Veja desta semana sobre uma conversa sua com o ministro do STF Gilmar Mendes e o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim. Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, referindo-se à denúncia, feita por Gilmar Mendes e reproduzida pela publicação, de que teria pressionado o ministro para atrasar o julgamento sobre o caso Mensalão, previsto para o final do semestre.


“Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público”, garante a nota, que garante ainda que a independência entre os poderes sempre foi “rigorosamente respeitada” nos oito anos de mandato. “O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público”, assegura o texto.

Segundo o ministro Gilmar Mendes, Lula teria marcado um encontro no escritório de Nelson Jobim em abril deste ano, no que seria um encontro de cortesia entre os participantes. Em seguida, segundo Mendes, a situação teria se transformado em uma pressão explícita de Lula no sentido de direcionar os rumos do julgamento do Mensalão.

“É inconveniente julgar esse processo agora”, teria dito Lula a Gilmar, reivindicando que o processo do mensalão fosse decidido apenas após as eleições municipais de 2012. Em seguida, diante da reação pouco amistosa de Gilmar, Lula teria passado um recado. “E a viagem a Berlim?” Gilmar Mendes fez uma viagem recente a Berlim, onde se encontrou com o senador Demóstenes Torres (sem partido/GO). Carlos Cachoeira também foi à capital alemã, na mesma data, mas não se sabe se houve encontros dele com o senador e o ministro do STF.

Ao relatar o caso à Veja, o ministro do STF qualificou como indecoroso o comportamento do ex-presidente da República. “Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula”, afirmou, garantindo também que faz visitas frequentes à Alemanha, onde fez doutorado e onde reside sua filha.

Jobim: “Não houve conversa nenhuma”

Procurado pelo jornal Zero Hora, o ex-ministro Nelson Jobim negou a versão dada por Gilmar Mendes ao encontro dos três. “Não houve nenhuma conversa nesse sentido (pressionar sobre Mensalão). Eu estava junto, foi no meu escritório, e não houve nenhum diálogo nesse sentido”, garantiu Jobim, reforçando que a conversa tratou das datas de uma pesquisa sobre a Constituinte, realizada pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, pertencente a Gilmar.

“Ele queria me visitar há muito tempo. E aí pediu que eu chamasse o Gilmar, porque gostava muito dele e porque o ministro sempre o havia tratado muito bem. Queria agradecer a gentileza do Gilmar. Aí, virou essa celeuma toda”, reforçou Jobim, garantindo que negou o teor da conversa quando consultado por Veja – a revista publicou que o ex-ministro da Defesa não havia desmentido as informações.

Oposição acena com convocação de Lula a depor no Congresso

Independente das versões, a acusação publicada em Veja promete esquentar o clima no Congresso Nacional nesta semana. O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) anunciou que os partidos de oposição vão encaminhar representação à Procuradoria-Geral da República, alegando que os fatos divulgados pela revista Veja apontam graves indícios da prática de crimes de corrupção ativa, coação e tráfico de influência.

“O fato é grave, inusitado, afrontoso e ofende a consciência democrática dos brasileiros. A atitude de Lula, entretanto, não surpreende, já que nos acostumamos a vê-lo durante oito anos como advogado de defesa dos desonestos, a passar a mão na cabeça dos corruptos e ditadores mundo afora”, disse o senador.

O senador Cristovam Buarque (PDT-DF), por sua vez, se limitou a constatar a gravidade do ocorrido. “Se o presidente Lula fez aquela proposta, temos uma situação de interferência na Justiça. Se não fez, temos um ministro do Supremo faltando com a verdade. É um momento negro da nossa história”, disse.

A denúncia contra Lula pode servir como estopim para um confronto dentro do Congresso e esquentar ainda mais as atividades da CPI do Cachoeira, que investiga relações do bicheiro Carlinhos Cachoeira com parlamentares e políticos. Enquanto a oposição ameaça chamar Lula para o centro dos holofotes como forma de combater a possível convocação do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), a depor, parlamentares da situação já dão indícios de que irão revidar, trazendo de volta à tona requerimentos contra a revista Veja e investigando as supostas relações de Gilmar Mendes com Demóstenes Torres e Carlinhos Cachoeira.



Abaixo, a íntegra da nota do ex-presidente Lula:

NOTA À IMPRENSA
São Paulo, 28 de maio de 2012

Sobre a reportagem da revista Veja publicada nesse final de semana, que apresenta uma versão atribuída ao ministro do STF, Gilmar Mendes, sobre um encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 26 de abril, no escritório e na presença do ex-ministro Nelson Jobim, informamos o seguinte:

1. No dia 26 de abril, o ex-presidente Lula visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava o ministro Gilmar Mendes. A reunião existiu, mas a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica. “Meu sentimento é de indignação”, disse o ex-presidente, sobre a reportagem.

2. Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado Mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.

3. “O procurador Antonio Fernando de Souza apresentou a denúncia do chamado Mensalão ao STF e depois disso foi reconduzido ao cargo. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja”, afirmou Lula.

4. A autonomia e independência do Judiciário e do Ministério Público sempre foram rigorosamente respeitadas nos seus dois mandatos. O comportamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o mesmo, agora que não ocupa nenhum cargo público.




Por: Assessoria do Instituto Lula e informações de Brasil247, ZH, Agência Estado e Rede Brasil Atual

Por: Diversos

 
   
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