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Indústria sobe 6,8% e lidera expansão
13/09/2007

Desempenho é o melhor desde o segundo trimestre de 2004; serviços avançam 4,8% e agropecuária, 0,2%

A indústria registrou alta de 6,8% no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, maior taxa desde o mesmo período em 2004. O setor foi o destaque na divulgação de ontem do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), conforme esperado pelos analistas do mercado. Os quatro subsetores que compõem a indústria nas estatísticas do PIB - transformação, construção civil, extrativa mineral e serviços de utilidade pública - registraram expressivos crescimentos.

'A aceleração significativa da indústria, que transitou de um crescimento de 0,4% no 1º trimestre para 1,3% no 2º trimestre, é digno de destaque, pois sinaliza que o setor retomou uma condição que, para alguns, havia sido perdida para o setor de serviços, qual seja, a de liderar o crescimento da economia', avalia um boletim do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Em seguida, o maior crescimento foi do setor de serviços (4,8%), influenciado principalmente pelo desempenho do comércio (8,1%). Na avaliação da Rosenberg&Associados, 'os determinantes desse movimento são a expansão do crédito, com alongamento dos prazos, além do aumento da massa salarial'. Segundo o IBGE, a massa de rendimentos avançou 5,2% no ano e as operações de crédito para pessoas físicas, 26,2%. O setor de agropecuária avançou 0,2% na comparação com o segundo trimestre de 2006.

'Os destaques positivos são relevantes e ocorrem em segmentos que retratam melhor o ciclo econômico doméstico. Tudo aquilo que na produção se refere à demanda corrente e ao ciclo econômico foi realmente bem', avalia o economista da Corretora Convenção Fernando Monteiro, citando as expansões nas atividades industriais e de serviços, excluindo a administração pública. Levando em conta os segmentos econômicos, o maior crescimento isolado foi o de serviços de intermediação financeira (9,6%).

TRIBUTAÇÃO

Os impostos sobre produtos cresceram 8,6% no segundo trimestre, maior taxa desde o segundo trimestre de 2000 (10,3%). No primeiro semestre, o valor dos impostos foi de R$ 172,582 bilhões. Segundo o IBGE, essa expansão se deu, sobretudo, 'em razão do aumento do volume do imposto de importação'. No segundo trimestre, as importações de bens e serviços aumentaram 18,7%.



Governo faz festa e projeta expansão de até 5% para o ano

Mantega e Bernardo, porém, divergem sobre o ritmo da atividade econômica durante o segundo semestre

Brasília - O desempenho da economia no segundo trimestre foi comemorado pela equipe econômica. Os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmaram que os números reforçam a projeção do governo de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4,5% e 5% este ano. Mantega disse que o resultado consolida o maior ciclo de crescimento econômico desde a década de 90. São 22 trimestres consecutivos de expansão.

Os dois ministros, no entanto, divergem nas previsões para o segundo semestre. Bernardo avaliou que a contribuição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para a expansão do PIB no primeiro semestre ainda foi pequena, mas acredita que será diferente nos demais trimestres de 2007.

"Não tenho dúvidas de que o PAC vai ajudar a puxar o crescimento", disse ao Estado. Ele destacou que, segundo um estudo encomendado a um instituto de pesquisa, o PAC pode ajudar com um ponto porcentual no crescimento do PIB.

Bernardo contou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou "satisfeito" com o desempenho do PIB, especialmente pelo fato de o crescimento continuar sendo puxado pelo aumento do consumo das famílias. "Nós fizemos a política correta nesses quatro anos e meio de governo", disse Lula.

O ministro do Planejamento também apontou outros fatores que devem impulsionar o crescimento do PIB. Entre eles, o impacto das sucessivas quedas nos juros no primeiro semestre e a expectativa de resultado melhor da agricultura, que no segundo trimestre foi modesto, "como é natural". Ele também lembrou que no segundo semestre de 2006 a indústria automobilística foi afetada por uma greve. Agora, está batendo recorde de vendas, puxando o setor industrial.

Ao contrário do colega, Mantega disse que não espera uma aceleração do crescimento no segundo semestre. Segundo ele, a economia continuará crescendo até o final do ano no mesmo ritmo de hoje. "Nem mais nem menos. A taxa mais provável para o ano é entre 4,7% e 4,8%". "Já estamos nessa velocidade. Não vai haver nem aceleração nem desaceleração."

À noite, em Belo Horizonte, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, afirmou que o resultado do PIB no segundo trimestre mostra com clareza os benefícios da estabilidade econômica vivida pelo País. "O Brasil viveu durante muitos anos uma estabilidade econômica e agora vem consolidando a estabilização de preços, o equilíbrio do balanço de pagamentos, a inflação convergindo para meta e adquire condições de crescer a taxas satisfatórias conforme a demanda da população."

O presidente do BC não quis comentar o rumo da taxa de juros. Lembrou, apenas, que a visão do Comitê de Política Monetária (Copom) está expressa na ata da reunião da semana passada, que sai hoje.

Crescimento sustentável depende da força da indústria

Coluna Sonia Racy

Diferentemente da maior parte dos economistas, o ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda Júlio Gomes de Almeida não atribuiu à indústria o 'fabuloso' crescimento do PIB no segundo trimestre deste ano. 'Estamos vivendo um ciclo de crescimento do comércio (8,1%), da intermediação financeira, da previdência complementar e seguros (9,6%) e da Tecnologia da Informação (7,5%). Muito fortes, eles é que estão puxando o PIB', enumera o economista, deixando de fora a indústria, que se expandiu em 6,8% na comparação com 2006. Mas não é um bom número? 'É muito bom, mas a indústria ainda está atrás de outros setores e, se o Brasil quiser crescer mais de 5%, de maneira sustentável, vai ter que dar mais gás ao setor', pondera, lembrando que, historicamente, o carro-chefe sempre foi a indústria, que crescia em ritmo bem maior que o PIB.

Mesmo assim, segundo o ex-secretário, esse aumento do PIB é o maior dos últimos dez anos, à exceção de dois trimestres consecutivos em 2004. 'Apesar dos números extraordinários em 2004, não podemos esquecer que a base de comparação era muito baixa. No ano de 2003, houve forte contração do crescimento da indústria, do comércio, da TI e dos serviços, todos números negativos', lembra. Pelo contrário, o resultado deste primeiro semestre teve como base de comparação 2006, um ano bom para economia brasileira.

Gomes de Almeida destaca também que, no caso de serviços, são os setores de ponta que estão crescendo. 'Outros, como o da administração pública, da saúde e da educação, que têm peso de 20% na economia, continuam fracos.' Já o crescimento do comércio, fortíssimo, está se dando por meio de importações e de uma significativa queda da sonegação. Na indústria, há crescimento forte sim, mas apenas em alguns nichos, que estão ampliando seu raio de ação, mas ainda são nichos. 'O crescimento do setor de TI é a exceção. Trata-se de um boom que vem vindo desde os anos 90 e assim deve continuar.'

Por: Jornal O Estado de São Paulo

 
   
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