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Empresas batem recordes de lucros com maior exploração dos trabalhadores
26/11/2007

As 220 empresas com ações na Bolsa de Valores bateram recorde de lucratividade: resultados 45,6% maiores nos primeiros nove meses de 2007. Já em 60% das negociações salariais do primeiro semestre, os reajustes concedidos ao trabalhador ficaram bem abaixo deste percentual, menos de 1,5% de aumento real

Empresas lucram com mercado concentrado. Exploração do trabalhador amplia resultado das empresas, que também aproveitam a baixa concorrência para vender seus produtos mais caro

As maiores empresas brasileiras de capital de aberto (com ações na Bolsa de Valores) quebram recorde de lucro em 2007. A notícia, comemorada pela mídia corporativa, não traz necessariamente vantagens para o trabalhador. Dados do Dieese revelam que a maioria da população não lucrou com esse resultado das companhias.

Os trabalhadores conseguiram aumentos reais com relação à inflação em 88% das negociações salariais concluídas no primeiro semestre de 2007. Desses ganhos reais, porém, 60% ficaram abaixo de 1,5%. O percentual é irrisório perto do desempenho das empresas de capital aberto nos primeiros nove meses deste ano: lucro 45,6% maior do que em 2006. Segundo informações levantadas pela consultoria Economática, a pedido do jornal Folha de São Paulo, as 220 companhias que publicaram balanços até a semana passada faturaram R$ 368,6 bilhões e tiveram lucro líquido de R$ 39,2 bilhões.

“O lucro não é necessariamente algo positivo. No caso brasileiro, é pior; se o lucro aumenta, não há por trás disso o aumento do salário”, salienta economista Reinaldo Gonçalves, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Dados do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea) revelam que a massa salarial real efetiva mostra uma pequena elevação de 6,1% no primeiro semestre do ano. Porém, essa expansão da massa salarial que vem tendo efeitos consideráveis sobre o nível de demanda. De acordo com o Instiuto, as vendas de veículos e material de construção mostram em junho uma alta de 17,4% no volume de vendas quando comparado a junho de 2006.

Como proporção do PIB, os empréstimos do sistema financeiro alcançaram 32,7% em julho ante 29,5% no mesmo mês de 2006. Esse ritmo de expansão do crédito se acelerou nos últimos meses. Outro fator para a alta da lucratividade das empresas é a própria dinâmica do mercado brasileiro. Gonçalves afirma que os grandes grupos empresariais brasileiros são “maratonistas”, principalmente se compararmos a velocidade do crescimento de seus resultados com a do Produto Interno Bruto (PIB) e da massa salarial. “São grandes porque têm poder econômico, com controle de mercado e assim conseguem trabalhar dentro de um ambiente de baixa concorrência e sem rivalidade”, explica o economista.

Em um segmento de consumo concentrado, a empresa tem mais possibilidade de elevar os preços de seus produtos para obter uma maior margem de lucro, se há maior consumo. A imprensa corporativa aponta que a confluência de fatores positivos para o aumento do lucro dessas empresas é alimentada pelo capital abundante oriundo da abertura de capital dessas empresas. Mas não é bem assim. A abertura de capital intensifica as aquisições e o monopólio dos grandes grupos empresariais. Segundo o economista Gonçalves, as vultosas verbas das grandes empresas vêm por meio do lucro retido e de ações preponderantemente pertencentes a brasileiros. De janeiro a setembro foram realizadas 62 aberturas de capital e 531 fusões e aquisições, segundo a consultoria KPMG. E, além do lucro, tem o crédito. Entre janeiro e outubro, o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) aprovou mensalmente, em média, 10% mais verbas (R$ 7 bilhões ao mês) para empresas do que em 2006.

Por: Boletim Brasil de Fato

 
   
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