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RS: Delegado diz que lobista deu dinheiro para Yeda comprar casa
28/04/2008

A madrugada da sexta-feira (25) foi marcada por dois acontecimentos explosivos envolvendo as investigações sobre a ação de uma quadrilha no Detran gaúcho. O delegado de polícia Luiz Fernando Tubino afirmou, na CPI do Detran, que tem informações da Operação Rodin dando conta que o lobista tucano Lair Ferst (um dos principais acusados de pertencer à quadrilha) pagou R$ 400 mil da casa comprada pela governadora Yeda Crusius (PSDB) no final de 2006, logo após o segundo turno da campanha eleitoral. Segundo Tubino, a casa foi comprada do consultor Eduardo Laranja da Fonseca, dono da Self Engenharia, empresa que seria uma das maiores devedoras do Banrisul.

Ainda conforme Tubino, a casa em estilo inglês de aproximadamente 700 metros quadrados e com quatro pisos chegou a ser anunciada para venda em jornais por R$ 1,5 milhão. Garantindo ter informações relativas às investigações da Operação Rodin, os R$ 400 mil seriam sobras da campanha eleitoral de Yeda, em 2006. O delegado fez uma série de outras denúncias que, segundo ele, já foram encaminhadas ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Especial do Tribunal de Contas.

Yeda Crusius negou que haja qualquer irregularidade na compra da casa e que as acusações fazem parte do jogo político da CPI. Ela ameaçou processar o presidente da comissão, deputado Fabiano Pereira (PT), por este ter se mostrado insatisfeito com as explicações de Yeda sobre a compra da casa. O depoimento do delegado Tubino agregou informações que exigirão novas explicações da governadora.

As duas torres gêmeas da política gaúcha

Segundo ele, há duas torres gêmeas que precisam ser derrubadas na política gaúcha. "O Banrisul e o Detran são duas torres que precisam ser investigadas e derrubadas. Isso vai mudar para melhor a vida política do Rio Grande do Sul", garantiu. Tubino disse que o Ministério Público já tem informações importantes relacionadas às denúncias feitas pelo vice-governador Paulo Feijó (DEM) sobre irregularidades no Banrisul.

Crime organizado

Um dos coordenadores da campanha tucana nas eleições de 2006, o empresário e lobista Lair Ferst é um dos principais nomes citados no inquérito da Polícia Federal sobre as fraudes no Detran. "Quadrilha criminosa. Crime organizado. Corrupção de agentes públicos com metas empresariais". Essas foram algumas das expressões utilizadas pelo superintendente da Polícia Federal, Ildo Gasparetto, para descrever os crimes praticados no órgão.

Ferst trabalhou na coordenação da campanha (na área financeira), ou como definiu a governadora no ano passado, "estava ali dando uma mão". Ex-coordenador da bancada do PSDB na Assembléia, Ferst chegou a ser cogitado para ocupar uma secretaria no governo estadual. Até aqui, Yeda e o PSDB não esclareceram qual era mesmo o papel de Lair Ferst na campanha eleitoral.

Propina e indícios de caixa-dois

A investigação realizada pela Polícia Federal na Operação Rodin teve como foco principal averiguar as irregularidades ocorridas no âmbito das relações contratuais entabuladas entre a Fatec e, posteriormente, a Fundae - ambas fundações de apoio à Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) - e o Detran, para fins de prestação de serviços relacionados aos exames práticos e teóricos de direção veicular no Estado do Rio Grande do Sul.

Segundo a Justiça Federal de Santa Maria, "ocorreu um ajuste prévio, no qual pessoas com grande influência política (lobistas) conseguiram obter junto a órgãos públicos, para as Fundações de Apoio, contratos para prestação de determinados serviços. Contratadas, sem licitação, as Fundações subcontrataram empresas e pessoas para realização dos serviços, superfaturados, de forma a beneficiar, primeiramente, os próprios lobistas, e, ainda, também os dirigentes do órgão contratador e das fundações". O superfaturamento era usado para pagamento de propinas e, suspeita-se, para formação de caixa-dois para campanhas eleitorais.

Um chopp inusitado

O segundo acontecimento foi o encontro inusitado do secretário de Planejamento do governo Yeda, Ariosto Culau, com Lair Ferst, ontem à noite, no Shopping Total. Os dois foram flagrados por repórteres do jornal Zero Hora "tomando um chopp e comendo um peixe", como disse Culau. "É um momento difícil. Lair, quero dizer que sou teu amigo e isso significa que quero te apoiar pessoalmente neste momento pessoalmente", disse o secretário a Lair, segundo relato da jornalista Marciele Brum.

Algumas horas antes, Culau havia participado de uma coletiva com a governadora Yeda Crusius para anunciar as decisões da "força-tarefa" que ele coordenou para "estudar melhorias na gestão do Detran". "O governo está adotando todas as medidas para garantir a continuidades dos serviços", declarou o secretário que, horas depois, iria beber um choppinho com um dos acusados de chefiar a quadrilha que atuava no órgão.

O encontro do secretário do Planejamento do governo com Ferst repercutiu imediatamente na CPI do Detran que, às duas e meia da madrugada, seguia ouvindo o depoimento do delegado Tubino. O presidente da CPI, deputado Fabiano Pereira (PT), considerou um escárnio o encontro do responsável pela força-tarefa para recuperar o Detran com um dos principais acusados de liderar a quadrilha que lesou os cofres públicos em mais de R$ 40 milhões (conforme as estimativas iniciais da Polícia Federal e da Justiça Federal). A deputada Stela Farias (PT) defendeu a convocação de Culau para depor na CPI. A noite começou ruim e terminou péssima para o governo tucano no RS.

Por: Marco Aurélio Weissheimer/Agência Carta Maior

 
   
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