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Bomba: Tubino afirma que Lair Ferst teria pago R$ 400 mil para ajudar na compra da casa da governadora Yeda
25/04/2008

Em um dos depoimentos mais esperados da CPI do Detran, o ex-chefe da Polícia Civil, Luis Fernando Tubino, revelou ter informações de que Lair Ferst teria pago R$ 400 mil para ajudar na compra da casa da governadora. Ferst foi indiciado em vários crimes na Operação Rodin por ser considerado um dos pivôs na fraude de R$ 44 milhões do Detran-RS. "Tenho informações que a Operação Rodin, que está em sigilo, identificou o cheque", afirmou. "A casa foi escriturada por R$ 750 mil, mas conversei com um corretor. Durante meses o valor da casa era R$ 1,5 milhão", sustentou, lembrando que "o grupo do Detran foi mantido pela governadora". A afirmação gerou mal estar e bate-boca entre deputados governistas e oposicionistas.

Tubino também afirmou que uma empresa fabricante de softwares teria recebido proposta indecorosa do deputado estadual Luiz Fernando Záchia (PMDB), responsável pela indicação de Ermínio Gomes Jr. para a diretoria financeira da autarquia. Gomes Jr. também foi indiciado pela Operação Rodin. "Essa empresa ofereceu um software por R$ 1,5 milhão. O deputado Záchia teria dito que o software deveria sair por R$ 20 milhões... A CPI precisa investigar isso", disse.

Eram mais de três horas desta madrugada quando o colunista postou esta nota, e o depoimento do delegado Tubino continuava.

DEPOIMENTO-BOMBA IMPLODE GOVERNO YEDA

A governadora comemorou seu 15º mês de mandato exalando publicidade por todos os poros. Nas aparências, tudo bem. Mas, a pintura da fachada não será insuficiente para esconder o estrago que o depoimento-bomba do Delegado Tubino à CPI do DETRAN e a foto do secretário Ariosto Culau na Zero Hora, reunido com Lair Ferst (um dos principais envolvidos nesse escândalo) causaram ao governo estadual e à pessoa governadora Yeda.

Yeda adentrou 2008 perseguindo a reconciliação com a opinião pública. Tarefa difícil, mas na qual o Palácio Piratini vinha colhendo relativo sucesso. Yeda e o povo se divorciaram após as infrutíferas tentativas de aumentar o ICMS que a então candidata havia prometido não aumentar.

A comunicação do governo melhorou. Mas, a essência do governo não mudou. Para isso, seria necessário que a governadora deixasse de ser como é; o que seria quase impossível acontecer.

Mesmo tendo colhido algumas vitórias na Assembléia Legislativa; tendo anunciado a atração de grandes investimentos ao estado, e tendo alcançado bons resultados no corte de gastos públicos, estava cada vez mais difícil esconder a tensão latente que ameaçava a frágil estabilidade do governo. O depoimento do Delegado Tubino ligando Lair Ferst à compra da casa da governadora, quase simultâneo ao encontro flagrado pela imprensa entre Ferst e um dos secretários do núcleo duro do governo, entornou o caldo definitivamente.

Em declaração recente o Procurador Especial do TCE, Geraldo Da Camino, afirmou que os crimes descobertos até agora não se pagam com cestas básicas. Não pode ser descartada a hipótese de que, diante da iminência de prisão dos envolvidos no escândalo do DETRAN, Lair Ferst estivesse agindo como o Flávio Vaz Neto. O ex-presidente do DETRAN estressou o secretário Delson Martini, também homem de confiança pessoal da governadora flagrado nos grampos da Operação Rodin da Polícia Federal, com ameaças de contar o que sabe caso não fosse atendido em suas demandas. Mesmo por mera especulação, fica difícil imaginar outra explicação para a súbita amizade entre Ferst e Culau.

Noutro front, o secretário do Desenvolvimento Luis Fernando Zachia (PMDB), também citado pelo Delegado Tubino, recentemente deixou de comparecer ao anúncio dos novos investimentos da Aracruz no Rio Grande do Sul. Houve quem deduzisse que Zachia estaria contrariado por ter sabido dos investimentos da Aracruz pela imprensa. Quem andou conversando com o secretário nos últimos tempos, e ouviu-o despejar adjetivos sobre a pessoa da governadora admite que talvez não sejam esses os motivos da sua ausência no evento da Aracruz.

Mas os problemas da governadora não se resumem a isso, que já não é pouco. Yeda anda reclamando em público que o secretário Mallmann é mais fiel à Polícia Federal do que a ela. Estranho. Muito estranho. E sintomático. Que motivo tem a governadora para externar reclamação como essa, se a fidelidade de seu secretário ao combate ao crime vem em benefício do contribuinte?

Tudo isso já seria demasiado grave se ficasse por aí. Mas, há mais. Zero Hora publicou recentemente informações sobre o relatório do Tribunal de Contas do Estado que confirmam as denúncias do vice-governador Paulo Feijó contra a atual gestão do Banrisul. Talvez por saber do terremoto que estava por vir, Feijó tenha surpreendido aos que esperavam vê-lo como epicentro de um abalo sísmico fatal para o governo, em sua breve interinidade.

Gente que conhece os bastidores do governo garante que a governadora não gostou do contraponto que o estilo low profile de seu vice fez em comparação ao “jeito Yeda de governar”, e por isso, teria voltado antes da viagem ao exterior.

Verdade ou especulação, o fato é que Feijó deixou sob o colo de Yeda a auditoria do TCE no Banrisul, e sem agir, criou mais problemas para a governadora do que se tivesse demitido o presidente do banco como anunciou que faria se tivesse oportunidade. Na origem do conflito com seu vice em torno das denúncias de irregularidades no banco estatal, a governadora alinhou-se pessoalmente à cúpula do Banrisul. E ainda indiciou para a diretoria do banco Rubens Bordini, um assessor seu com atuação nas finanças da campanha eleitoral.

Se, como parece, a auditoria do TCE no Banrisul confirma as denúncias de Feijó, o desvio no DETRAN ficará “menor”. A primeira revelação de ZH sobre uma das denúncias de Feijó apenas, indica cifras que se aproximam dos R$ 100 milhões repassados a FAUFRGS, seguindo o modelo dos contratos do DETRAN com a fundação da UFSM. E ZH sabe muito mais do que já publicou.

O TCE investigou várias denúncias de Feijó. Apenas uma delas foi publicada. Os desdobramentos da CPI do DETRAN e as informações de que ZH dispõe oferecem combustível farto para liquidar qualquer esforço do Palácio Piratini visando enfrentar a onda de manchetes negativas que inundará o noticiário local daqui para frente.

Não por acaso, no início dessa semana a jornalista Rosane de Oliveira inquiriu a governadora ao vivo, na rádio Gaúcha, sobre as controvérsias em torno da compra de sua casa. Jornalista experiente, Rosane não avançaria sem saber no que pisa. O Delegado Tubino também não. Em novembro de 2007 a colunista já publicará em ZH a enigmática frase: “A casa começa a cair”. Na mesma época a jornalista Taline Opitz, em sua coluna no Correio do Povo, fez referência a uma operação hipotecária atípica realizada pelo Banrisul, envolvendo imóvel de importante personalidade da política gaúcha.

Primeiro veio o DETRAN; depois o Banrisul, e agora, a casa da governadora.

Ao responder a pergunta de Rosane de Oliveira sobre a compra da sua casa, ao vivo na rádio Gaúcha, a governadora não se saiu bem nas explicações. Calada causaria menor quantidade de problemas a si mesma.

Os ingredientes da cena política da província são explosivos. Talvez os mais explosivos da história política recente do Rio Grande do Sul.

O PT não perde a oportunidade. Mestre em destruir reputações, os petistas - no caso de Ibsen Pinheiro - fabricaram chifres em cabeça de cavalo e cometeram criminosa injustiça.

Será esse o caso de Yeda?


Por: Diego Casagrande e Paulo Moura

 
   
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