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Acordos coletivos já reduziram salários de pelo menos 7 mil trabalhadores no Estado
09/02/2009

Na última sexta-feira, Lauri Batista Gomes se deu ao luxo de acordar mais tarde. Em vez de levantar às 4h20min para trabalhar, como costuma fazer em dias úteis normais, o metalúrgico despertou às 8h, foi à padaria, tomou café e deu comida para os cachorros.

E assim Lauri deu início ao primeiro dia de folga imposto pelo acordo firmado entre os funcionários e a MWM International, o último entendimento fechado no Estado.

No horário em que alimentava os animais, o metalúrgico de 56 anos — 22 deles na MWM — geralmente está no almoxarifado da divisão de peças de reposição da fabricante de motores. Pela negociação que forçou Lauri a praticar os afazeres comezinhos típicos de um domingo em plena sexta-feira, os 800 metalúrgicos aceitaram a proposta de reduzir os salários em 15,75% até 24 de abril. O acordo foi formalizado na última quarta-feira e, em troca, os trabalhadores evitaram demissões nos próximos meses, além de ganhar um folga semanal para compensar o corte nos vencimentos.

— Passei o dia refletindo sobre o desemprego meu e de meus colegas — contou um Lauri desanimado, ao final da sexta-feira de folga, sentado no piso da varanda da casa localizada no subúrbio de Canoas.

A princípio, a redução de salários vai contra a legislação trabalhista brasileira, mas é permitida em casos negociados entre empresas e trabalhadores. Como o setor metalmecânico é o segmento mais atingido pelos reflexos da crise econômica mundial, no Brasil, diversas empresas estão procurando os sindicatos para negociar acordos.

No Rio Grande do Sul, três empresas convenceram os trabalhadores da necessidade da medida: GKN, Randon e MWM International. Nas três indústrias, 7 mil metalúrgicos tiveram seus salários reduzidos nas últimas semanas. Pelo menos mais cinco empresas já iniciaram negociações semelhantes.

Desde outubro, quando a crise econômica começou a ser sentida no setor metalmecânico, outros 7.023 trabalhadores foram demitidos, segundo cálculo da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul. As dispensas foram mais fortes, no entanto, no mês de dezembro, quando o saldo negativo de postos de trabalho cresceu 307% na comparação com dezembro de 2007. Nos últimos 30 dias de 2008, as demissões superaram as contratações em 4.775.

Sindicalistas são contra os acordos, mas, diante dos números negativos e das previsões sombrias das empresas para os próximos meses, aceitaram levar adiante as negociações. Para Milton Viário, presidente da Federação dos Metalúrgicos do Rio Grande do Sul, os trabalhadores estão dizendo sim às propostas porque muitos vieram de empregos informais.

— Tem um contingente que fazia bicos e, agora, é natural que eles queiram manter o emprego. Somos radicalmente contra essas iniciativas, porque não é uma solução duradoura. Mas a ameaça de desemprego é uma grande pressão e a adesão dos trabalhadores tem sido massiva — justifica Viário.

Lauri votou a favor do acordo, embora admita que tenha pensado em rejeitar a proposta — as assembleias têm voto secreto (sic).

— Não tinha saída. Mas a gente fica meio chateado porque, em 2007 e 2008, eles ganharam muito dinheiro e, agora, são os trabalhadores que pagam a conta — diz o metalúrgico.

Com R$ 236 a menos no salário de R$ 1,5 mil, ele adiou a compra do carro e a reforma na casa. Na tarde de sexta, depois de almoçar em casa, cortou a grama e pensou sobre o futuro. E também sobre o passado, quando, na década de 90, a empresa teve de dispensar alguns colegas, após um período de salários reduzidos.

Por: Alexandre de Santi - ZH

 
   
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