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Por conveniência, Davos rasga de vez a cartilha neoliberal e pede intervenção estatal contra crise
29/01/2009

Quando a economia mundial vai bem, os capitalistas dizem que o governo não deve se meter. Defendem as privatizações e a não-intervenção do Estado na economia. No entanto, diante de uma crise econômica internacional como esta, mudam de opinião como quem troca de cuecas, sem se envergonhar. De uma hora para outra, rasgam a cartilha do neoliberalismo e pregam a intervenção de governos, seja para liberar recursos públicos para salvar corporações da bancarrota, seja para estatizar bancos e companhias estratégias que vão mal.

Um exemplo disso é o que vem acontecendo no Fórum Econômico Mundial em Davos, que reúne os “papas” do capitalismo na Suíça: eles, que tradicionalmente defendiam o neoliberalismo, acreditam agora que o Estado (governos) precisa intervir para estabilizar o sistema financeiro e as economias nacionais, especialmente nos países desenvolvidos, tudo para impedir o colapso do sistema financeiro e ajudar a restaurar a confiança nos mercados, isso a custo dos impostos dos contribuintes, que, em muitos países, se mostraram reticentes a resgatar os responsáveis pelos erros no sistema financeiro. Nada como ser socialista e buscar a caridade com o chapéu alheio...

Em Davos, os analistas destacaram a necessidade de se criar um mecanismo – sem dizer qual - para quantificar os “ativos tóxicos” que os bancos possuem (deve ser a droga de um dinheiro podre, como o que gerou a crise financeira mundial desencadeada a partir da especulação dos títulos imobiliários norte-americanos). Brilhantemente, estes “especialistas” dizem que os acionistas devem aumentar o capital das entidades de crédito e, caso não sejam capazes de fazer isso, o Estado tem que recapitalizá-los, talvez criando o chamado "banco ruim" estatal para absorver os ativos tóxicos ou não líquidos, conforme cogitaram alguns países, como os EUA. Até o mega-investidor (ou seria mega-especulador) americano George Soros apoiou a intervenção estatal como "medida de emergência e temporária". Para ele, a magnitude da crise financeira global é maior que a dos anos 1930 e o Estado deve agir para salvar os bancos, “porque o setor privado não pode intervir”. O mundo empresarial também defende a intervenção estatal como única solução para estabilizar a situação dos mercados, segundo os resultados de uma pesquisa feita pela empresa Pricewaterhousecoopers no último trimestre de 2008, com 1.124 executivos-chefes de empresas de todo o mundo.

Esta foi a síntese do primeiro dia de debates do Fórum de Davos. Em nenhum momento os papas da economia capitalista fizeram uma veemente defesa do emprego no mundo, nem lembraram que “intervenção do Estado” significa colocar dinheiro público (meu, seu, de todos, e que deve ser usado pra melhorar a educação, saúde e segurança) a seu dispor.

Por: Geraldo Muzykant - Jornalista, assessor de imprensa

 
   
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