Bom dia! Hoje é Domingo, 09/08/2020.
 
CUT Nacional
CUT RS
CNM/CUT
FTMRS
Gross & Klein


Cuidado! Patrões estão usando seu emprego pra fazer chantagem, flexibilizar direitos e ganhar dinheiro público de graça
18/01/2009

Empresários pressionam com demissões e pedidos de dinheiro público, mas CUT e governo são contra as propostas que reduzem salários e não garantem empregos

A grande maioria dos empresários de países ricos ou em desenvolvimento enfrentam com coragem as crises e só falam em demitir trabalhadores em último caso, quando se esgotam todos os mecanismos de manutenção do trabalho e da renda. Eles têm uma visão social, sabem que nem sempre vão ganhar e que, em períodos de “vacas magras”, terão de fazer a sua parte para manter a economia funcionando, dentro daquilo que se convencionou chamar “ciclo virtuoso da economia” (emprego gera renda - renda gera consumo - consumo gera demandas e investimentos - demandas e investimentos geram produção - produção gera ou mantém empregos - e por aí vai).

Aqui no Brasil, infelizmente, esta mentalidade é compartilhada por poucos empresários e, nessa hora, a ganância e o oportunismo falam mais alto. Em parte, esta cultura patronal se explica da seguinte forma: aqui é fácil e barato demitir e é fácil ganhar dinheiro público sem exigências e contrapartidas sociais. Tanto é verdade que a crise nem havia se instalado em nosso país no último trimestre do ano passado - isto porque o governo criou condições para que a nossa economia se mantivesse forte - e as empresas já falavam em demissões, gerando um clima de incertezas que fez com que o crédito ficasse mais difícil e o consumo caísse, jogando areia nas engrenagens azeitadas do ciclo virtuoso da nossa economia nacional.

No início de dezembro, além de forçar acordos de férias coletivas, os empresários começaram a propor a redução de jornada com redução de salários, proposta simpática apenas para o sindicalismo pelego da Força Sindical e tida como inaceitável pela CUT e seus sindicatos filiados. Nem o governo é a favor desta proposta, pois, na semana passada, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, denunciou essa “esperteza” patronal, dizendo que muitos empresários brasileiros estariam usando as demissões para pressionar o governo a apresentar propostas de flexibilização da legislação trabalhista e socorrer suas empresas com dinheiro público, sem se compormeter com o emprego. Apesar da pressão patronal, o Governo Lula se comprometeu de não encampar as tais “medidas de exceção” para atenuar os supostos efeitos que a crise internacional está gerando em nosso país. “O governo não vai jogar a conta da crise nas costas do trabalhador, até porque não foi a classe trabalhadora e nem os brasileiros que geraram esta crise”, disse Lula no mês passado. Além do mais, a atividade produtiva é menor nos primeiros meses do ano e o governo aposta numa retomada da estabilidade e do emprego, tanto que trabalha com previsão de crescimento da economia nacional entre 2% e 4% para este ano e a geração de pelo mesmo 1,5 milhão de postos de trabalho.

Para combater a chantagem patronal, a maioria das centrais sindicais brasileiras decidiu que vão reagir às demissões com uma onda de paralisações nas empresas de todo o País. Os empresários gaúchos - sob orientação da CNI e da Fiergs - já começaram a demitir e impor propostas de redução da jornada com redução salarial na região metropolitana de Porto Alegre. “

Aqui em nossa base, vamos ter de reagir. Queremos a redução da jornada, mas sem redução de salários. Os patrões já achataram os nossos salários com a rotatividade de pessoal, já lucraram muito em cima da nossa mão-de-obra barata e não temos como suportar mais este arrocho. Eles fizeram muita economia e têm como suportar alguns meses de turbulência. A classe trabalhadora é que não tem que pagar por uma crise que não gerou.

Por: Geraldo Muzykant - Jornalista, assessor de imprensa

 
   
Rua Alberto Schmidtt nº 208 - Centro - Sapiranga/RS - Fone: 3599-1225 - e-mail: stmetal@gmail.com
Copyright © Sindicato dos Metalúrgicos de Sapiranga :::
Expediente