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Homenagem a Adão Pretto emociona deputados e militantes sociais
10/02/2009

O deputado federal Adão Pretto, do PT, falecido na última quinta-feira (5) aos 63 anos, vitimado por uma pancreatite, foi homenageado nesta terça-feira (10) em grande expediente do deputado Dionilso Marcon, do PT. Sem esconder a emoção, Marcon destacou os compromissos de Adão com a luta dos trabalhadores rurais e com o movimento dos sem terra. “De todos os lugares do Brasil, os colonos se deslocavam para Brasília só com o telefone e o endereço do Adão, onde podiam descansar e usar como apoio nas mobilizações” relatou.

Adão estava em seu sexto mandato, tendo se elegido pela primeira vez em 1986, compondo a primeira bancada do PT na Assembléia Legislativa do estado. Depois se elegeu sucessivamente deputado federal, cumprindo uma trajetória de 22 anos como parlamentar petista e representante dos pequenos trabalhadores rurais e dos sem terra. “Realizava um mandato coletivo, intimamente vinculado aos movimentos sociais. Seu gabinete sempre esteve a serviço das lutas do povo oprimido”, destacou Marcon.

A trajetória política de Adão, entretanto, começou bem antes de sua primeira eleição, junto às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) da Igreja Católica. Marcon lembrou que foi com a sua liderança, como presidente do sindicato dos trabalhadores rurais de Miraguaí, que pela primeira vez os pequenos agricultores gaúchos fizeram uma mobilização reivindicatória. “Ele nos deixa um legado fundamental de que é possível fazer política sustentando a luta do povo. De que uma outra política e outra sociedade são possíveis”, disse.

Em uma publicação de seu gabinete, editada em janeiro deste ano, Adão relembra sua luta e as dificuldades inicias na criação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Lá, no primeiro parágrafo da introdução, revela-se os princípios que orientaram a trajetória coerente e marcante de um dos principais representantes dos trabalhadores rurais gaúchos: “A luta pela terra vem de longe. Começou desde os índios. Eu sempre tenho dito que Pedro Álvares Cabral, na verdade, invadiu o Brasil, porque os índios já estavam aqui. Então, a partir dali já começou a luta pela terra...”

“Não perdemos apenas um deputado que nos representava”, disse um dos coordenadores do MST gaúcho, Cedenir de Oliveira, que, sentado nas galerias do Plenário, acompanhado de dezenas de militantes sociais que compareceram à homenagem, não escondeu as lágrimas. “Perdemos um grande lutador. Sua presença entre nós vem de antes de existir o MST. E vai continuar existindo pelos seus exemplos”, concluiu.

Adão não era só um representante campesino, embora essa tenha sido sua principal característica. Claudir Nespolo, presidente do sindicato dos metalúrgicos de Porto Alegre sintetiza essa universalidade: “Adão é um símbolo. Ele é exemplo para todos os que lutam por justiça social. Sua fé e sua coragem são inspiradores”. “Sua militância é um exemplo de dedicação e dignidade”, reforça o secretário-geral do PT, Carlos Pestana. “É um exemplo de que a humildade pode fazer muita diferença”, declarou o deputado Iradir Pietroski, do PTB, um dos nove parlamentares que se manifestaram em nome de todas as bancadas.

Ao final da homenagem, a bancada do PT ofereceu à família uma placa de bronze com trechos da música “O Colono”, de Teixeirinha, uma das canções preferidas do parlamentar, e a inscrição: ‘um grande exemplo que fica, uma luta que continua’. Coube ao presidente da Assembléia Legislativa, deputado Ivar Pavan, também um pequeno agricultor, finalizar a homenagem lembrando a cena marcante de seu enterro, no dia 6 de fevereiro, quando a Brigada Militar trancou algumas ruas para a sua passagem. “Eu lembrei naquele momento quantas vezes era o Adão que trancava ruas para que o povo fosse ouvido e a Brigada era chamada para desobstruir. Naquele dia, coube à Brigada trancar as ruas para que Adão passasse. Uma homenagem que dignifica a sua vida e a sua história. Pessoas como Adão não morrem, vivem sempre em nossas lembranças. Mantém-se como uma cobrança para que a luta não acabe”, concluiu.

Por: João Ferrer / PTSUL

 
   
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