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CNM/CUT avalia impactos da crise e discute próximas ações dos metalúrgicos
03/04/2009

Com a presença do presidente do IPEA, Marcio Pochmann, representantes dos metalúrgicos da CUT de todo o país reuniram-se para a primeira reunião da diretoria executiva da entidade em 2009

Nos dias 2 e 3 de abril a Confederação Nacional dos Metalúrgicos reuniu em sua sede na capital paulista toda a direção da entidade e representantes das sete federações filiadas para mais uma reunião executiva da CNM/CUT. Os sindicalistas fizeram um balanço dos impactos da crise mundial no setor metalúrgico brasileiro no primeiro trimestre de 2009 e também as ações da entidade para o próximo período.

Desde que a crise começou a afetar setores da indústria metalúrgica, a CNM/CUT, as federações e sindicatos filiados iniciaram uma série de lutas e resistências em caráter nacional, regional e por empresa. Atos pela liberação do crédito, seminários setoriais, como o realizado com trabalhadores nas indústrias siderúrgicas e manifestações em defesa do emprego que paralisaram todas as montadoras do ABC, foram apenas alguns dos exemplos.

Os acordos com sindicatos patronais para a manutenção dos empregos também foi uma das grandes vitórias dos metalúrgicos. Nas indústrias do setor automotivo, a renovação do acordo para redução do IPI entre governo e ANFAVEA, válido a partir de 1º de abril, agora prevê a garantia dos empregos, diferentemente do primeiro protocolo assinado em dezembro junto ao governo federal, conforme trecho do acordo publicado abaixo:

"Garantir o emprego do setor de automoveículos no conjunto das fábricas produtoras de automóveis, comerciais leves e caminhões, durante o período de 90 (noventa) dias, ressalvados os casos de programas de voluntariado, por justa causa e acordos sindicais."

A CNM/CUT também firmou acordos com a ABIMAQ (Máquinas e equipamentos), em que pede a desoneração temporária de tributos, para gerar capital de giro e manter o nível de emprego. Na ABRACICLO (Motocicletas), a garantia de emprego está atrelada à redução da COFINS de 5% para 0%. No SINAVAL (Naval), que não foi afetado pela crise há acordos sobre saúde e segurança e na ABINEE (Eletroeletrônicos) também já há entendimentos para a manutenção dos empregos nas empresas do setor, assim como na ABIFA (Fundições) e no IBS (Siderurgia).

"Nossa categoria foi uma das mais impactadas no último trimestre de 2008. Porém, com as ações do movimento sindical e as medidas do governo, como a redução do IPI para automóveis, as vendas no setor aumentaram de forma sustentada, superando inclusive os recordes históricos do último ano, o que propiciou a interrupção nas demissões e até mesmo a geração de novos empregos em alguns setores", disse o presidente da CNM/CUT, Carlos Alberto Grana.

Em 2009, a Confederação vai intensificar as ações nos estados com o objetivo de conquistar a unificação da data-base para setembro e também a criação de um piso nacional de salários, entre outras pautas.

Convidado da CNM/CUT para abrir o encontro, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), Marcio Pochmann, fez uma análise do emprego e também falou da atual e futura conjuntura econômica e social do país. A fala foi transmitida ao vivo por videoconferência e contou com participação dos companheiros que estavam em atividade no curso "Formação de Formadores", realizado pela CNM/CUT em Atibaia e enviavam perguntas ao palestrante.

O economista lembrou que o setor financeiro no Brasil representa apenas 6% do PIB nacional, mas tem um peso desproporcional nas decisões do país. "A opinião deles é a que prevalece em uma nação midiatizada", comentou.

Segundo Pochmann, a atual conjuntura econômica mundial é a mais importante dos últimos 70 anos e uma oportunidade histórica para que em países como o Brasil, a construção de uma nova esquerda se realize, em que o debate é qual o papel do estado em um novo projeto de desenvolvimento. "Ao invés de darmos dinheiro aos bancos, temos que discutir uma revolução na propriedade", afirmou.

Outro aspecto importante é saber lidar com as operações das multinacionais no país em um novo momento que o eixo central das companhias pode ser alterado. "As montadoras americanas estão falidas. Mas o que faremos com as filiais no Brasil, que são lucrativas?", questionou.

O presidente do IPEA lembrou as ações do ex-presidente Juscelino Kubitschek, que à época, abandonou a perspectiva de construção de um país por empresas nacionais, não necessariamente estatais. "Não há dúvidas que esta opção nos fez dar um salto que transformou a sociedade brasileira, inclusive no sindicalismo. Ao mesmo tempo esse salto se traduziu em um salto de dependência, já que as decisões acabam não sendo nacionais". Pochmann também lembrou que na Coreia do Sul, a opção foi oposta e, atualmente, decisões estratégicas do governo - como as exportações - são analisada pelas empresas nacionais.

A existência das empresas em rede e a produtividade massiva, onde o salário não acompanha o estudo, também está em xeque agora.

Especialistas em economia social e do trabalho, o estudioso disse que na visão técnica não há motivo para que a jornada semanal de trabalho seja acima das 12h. "Essa crise é o fracasso de um modelo de capitalismo e não do capitalismo", finalizou.

Por: Valter Bittencourt - Imprensa CNM/CUT

 
   
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