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IPI menor será prorrogado, acertam Governo, patrões e trabalhadores
28/03/2009

Acerto entre ministro Mantega, empresários e sindicalistas mantém redução do imposto do carro até o fim de junho. Acordo prevê garantia de empregos, exceto em vagas ocupadas por temporários

Uma manhã de conversas ao telefone entre sindicalistas, dirigentes de montadoras e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta sexta-feira (27), selou a renovação do acordo de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para os carros por mais três meses.

O anúncio oficial será feito na segunda ou terça-feira (31), pois depende da agenda dos envolvidos nas negociações.

O Governo já vinha manifestando intenção de renovar a medida, que ajudou as montadoras a venderem, em plena crise, mais veículos no primeiro trimestre deste ano do que em 2008.

O impasse estava na contrapartida a ser exigida, de manutenção de empregos, sugerida pelas centrais sindicais. Só em janeiro e fevereiro as montadoras cortaram 4 mil vagas.

Temporários de fora
As fabricantes concordaram, desde que ficassem de fora os trabalhadores com contratos temporários. Os sindicalistas encontraram uma "frase mágica" para endossar o acordo, que terá cláusula afirmando que "os contratos temporários serão cumpridos".

Ou seja, aqueles que vencerem nos próximos três meses não serão renovados, pois tinham validade por um ano. A abertura de programa de demissão voluntária está liberada.

O corte do IPI em meados de dezembro e com validade inicial até 31 de março foi adotado para reduzir o efeito da crise econômica mundial nas vendas de carros no país, que despencaram nos últimos meses de 2008.

Apesar de ter provocado redução de 90% na arrecadação do imposto, a medida é vista como uma das poucas anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com resultado efetivo.

O primeiro trimestre deve ser fechado com vendas próximas a 655 mil veículos, 1% a mais do que em igual período de 2008, quando somaram 647,9 mil unidades.

No segmento de automóveis e comerciais leves, o mais beneficiado pela medida, o aumento deve ficar perto de 2%, com 630 mil unidades.

Estoques altos
Os estoques nos pátios das fábricas e das revendas, que chegaram a 305 mil veículos em dezembro, equivalentes a 56 dias de vendas, baixaram no mês passado para 181 mil unidades, ou 27 dias de comercialização.

A alíquota do IPI, que era de 7% para carros 1.0 permanecerá isenta. Para modelos 1.4 até 2.0, ficará em 5,5% para motores flex e 6,5% para a gasolina, metade da alíquota normal. Com o novo imposto, os preços dos carros caíram em média de 5% a 7%.

Com o anúncio da prorrogação só a partir de segunda-feira, o governo não vai atrapalhar as campanhas das montadoras neste fim de semana que usam como atrativo a última oportunidade para comprar carro com IPI reduzido.

A Volkswagen fará feirão hoje e depois na fábrica Anchieta e na área ao lado do Playcenter com o slogan "Último fim de semana de IPI reduzido". A Fiat fará ações nas lojas de todo o país e divulga anúncios com a chamada "Aproveite o último fim de semana com IPI reduzido e condições especiais".

Novas medidas
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse que o governo federal irá lançar um novo conjunto de medidas econômicas nos próximos dias. Apesar de dar a garantia de que há mais medidas em andamento, não quis dar detalhes.

"Geralmente abrangem a área financeira e pode ser que tenha alguma na área tributária", disse. Dilma afirmou que a manutenção de empregos é condição à qual setores e empresas que buscam benefícios devem se submeter.

"Não é possível fazer financiamento e nem tampouco redução de carga tributária para quem vai desempregar", advertiu.

Por: Correio Braziliense

 
   
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