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Juros em queda, crédito em alta e varejo aquecidos são sinais de que o PIB pode crescer já em 2009
22/07/2009

O crescimento torna-se uma possibilidade concreta para o Brasil, ainda em 2009. As expectativas do mercado, captadas pela pesquisa Focus do Banco Central, ainda são de retração no Produto Interno Bruto (PIB), mas a previsão média de queda passou de -0,55% para -0,34% nas últimas semanas. Para 2010, espera-se alta de 3,5% no PIB. O governo diz ser possível chegar a 4,5%. Ganham espaço as apostas em uma forte recuperação no segundo semestre, bastante não apenas para zerar os efeitos da turbulência nos primeiros seis meses, mas para inverter o sinal e tornar positivo o desempenho da economia neste ano.

A avaliação dos analistas, hoje, é de que o impacto mais nocivo da crise financeira internacional foi sentido pela indústria, que só agora dá sinais de conclusão de um processo de ajuste à nova realidade. As boas notícias vêm do lado da demanda. De acordo com o IBGE, o comércio registrou alta de 4% em maio, na comparação com o mesmo período de 2008, e os consumidores revelam em pesquisas a disposição para tomar empréstimos e gastar mais nos próximos meses. O movimento consistente de queda dos juros e oferta de crédito pelos bancos dá o aval a quem quer comparar a conjuntura atual a um copo meio cheio, e não meio vazio.

“O quadro para o crescimento positivo em 2009 está pronto”, defende o professor da Faculdade de Economia da USP Celso Grisi. Ele dirige o Instituto de Pesquisas Fractal, especializado em estudos de crédito, e observa a tendência de demanda crescente do brasileiro pelos empréstimos consignados e financiamentos imobiliários. Números do BC dão conta de uma alta de 20,5% nas operações do sistema financeiro nacional nos últimos doze meses.

A reação da economia, segundo Grisi, conta também com o impulso das entradas de capital no País. O total de investimentos externos diretos somou, até abril, 8,6 bilhões de dólares. A previsão do BC para junho é de mais 1,5 bilhão de dólares. “De um lado, as exportações nacionais estão cada vez mais dependentes do comportamento mundial das commodities e as vendas ao exterior são condicionadas à recuperação da atividade econômica mundial. De outro, a permanência dos fluxos de capitais para o Brasil aponta para a continuidade do processo de modernização da economia e de ganhos de competitividade pelo incremento tecnológico que isso representa”, avalia o economista. “Resta esperar para que a crise financeira não traga outros imprevistos e que o governo continue a acertar nas políticas macroeconômicas.”

Uma das últimas medidas anticrise anunciadas pelo governo, a criação do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), pode representar, de acordo com o professor da USP, a remoção de um dos últimos obstáculos à recuperação da economia: a falta de crédito para as empresas. A carência se deve, em parte, à redução de carteiras dos bancos dependentes de recursos externos, sobretudo pelo efeito da valorização do real.

A escassez de recursos e a queda de demanda externa provocaram um abalo na indústria brasileira que ainda não foi contornado. A última pesquisa de emprego da Fiesp revelou que as empresas paulistas fecharam mais 8 mil vagas em junho, o que eleva os cortes para um total de 54,5 mil no primeiro semestre. A queda foi de 0,36% em relação a maio. O número contrasta com o saldo do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do governo, positivo em 119,5 mil postos de trabalho em junho e em quase 300 mil desde janeiro. Nos primeiros seis meses de 2008, o resultado era positivo em 1,36 milhão de contratações.

“O Caged registra, em São Paulo, uma perda acumulada em doze meses de 160 mil postos de trabalho, mas o saldo da indústria é negativo em 190 mil. Isso mostra que a queda foi toda concentrada na indústria, que fechou postos enquanto os outros setores abriam”, afirma o diretor do Departamento Econômico da Fiesp, Paulo Francini.

Apesar de registrar o semestre como o “pior em décadas”, Francini diz ter razões para acreditar que não há risco de contágio para outras atividades. “Pelo fato de os efeitos da crise estarem contidos na indústria, essas demissões não têm a dimensão de provocar quedas ulteriores e sucessivas”, diz. “Estamos passando pelo pior momento, ou já o atravessamos.”

Em outras palavras, o executivo da Fiesp quer dizer que o mais provável, a partir de agora, é que a indústria sofra uma influência positiva de outros setores, como comércio e serviços. A pesquisa Sensor, utilizada pela entidade para medir as expectativas da indústria de transformação no mês corrente, atingiu, na primeira quinzena de julho, o nível mais elevado desde setembro de 2008, às vésperas do agravamento da crise internacional. “Existe um descompasso entre atividade e emprego”, ressalva Francini. “A indústria reluta em contratar e demitir. É preciso ter certeza antes de voltar a admitir funcionários.”

Os sinais positivos do lado da demanda estão entre os que não podem ser desprezados. O estudo Intenção de Compras de Bens Duráveis, elaborado pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA) e pela Felisoni Consultores Associados, revela que o índice de consumidores dispostos a adquirir algum produto no terceiro trimestre chega a 74,3%, ante 61,8% no levantamento referente ao mesmo período do ano passado. “Ainda não podemos dizer se o impulso será suficiente para tornar o PIB positivo, mas sem dúvida o peso do consumo é muito importante”, diz o coordenador de Pesquisas do Provar, Nuno Fouto.

A lista de dez categorias de produtos é encabeçada pelos itens de informática, com 14,2% das intenções de compra, seguida pelos eletrodomésticos da linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar), que tiveram o IPI reduzido pelo governo. O índice para os materiais de construção subiu de 4,6% para 7,4% entre as duas últimas pesquisas, como resultado das medidas de estímulo ao segmento.

Fouto acrescenta que a categoria automóveis e motos, embora tenha registrado queda de 7,6% para 6,8% entre os levantamentos mais recentes, mantém uma intenção de compra 70% superior à verificada na pesquisa referente ao terceiro trimestre de 2008. “Não há dúvida de que o interesse do consumidor é alimentado pelo estímulo fiscal do governo”, afirma.

Do lado do crédito, a Serasa Experian registrou aumento de 10,4% da inadimplência no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2008. O resultado de junho, porém, mostra arrefecimento de 2,1% em relação a maio. A trajetória de queda, na análise dos técnicos da empresa, mostra que há espaço para a expansão da oferta de recursos. O indicador de demanda por crédito da Serasa atingiu 102,7 pontos em junho, superando pela primeira vez os níveis do período pré-crise. Em outubro, o índice era de 101,2 pontos.

O aquecimento da demanda não se registra apenas ao olhar à frente. O crescimento das vendas do comércio em maio surpreendeu os analistas, que esperavam números mais baixos. O IBGE apontou alta de 0,8% sobre o mês anterior, quebrando uma sequência de duas desacelerações consecutivas, em abril e março. No ano, a alta é de 4,4% e em doze meses acumula 6,5%. Os segmentos em destaque foram hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, responsáveis por mais da metade da alta do índice. As vendas de eletrodomésticos, apesar de a queda de IPI ter ocorrido em abril, reagiram pouco em maio, apenas 0,1%.

A reação do varejo é sustentada pela queda nos preços de alimentos e pela expansão da massa salarial, que atingiu 6,6% de alta até maio, já descontada a inflação. Se as vendas mais elevadas estimularem o aumento da produção industrial, e esta motivar novas contratações, estarão lançadas as bases de um ciclo virtuoso capaz de dar sustentabilidade ao desenvolvimento da economia.

Os bons ventos são um alívio sobretudo para a equipe econômica do governo, que desde o início do ano vinha sendo forçada a reduzir as expectativas para o desempenho do País neste ano e nos próximos. O tom otimista começou a ser retomado nas últimas entrevistas. “As políticas anticíclicas têm dado bom resultado no Brasil, talvez até um resultado superior ao de uma boa parcela dos países emergentes”, arriscou recentemente o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Seus últimos informes ao presidente Lula sustentam uma expectativa de incremento de 1% do PIB neste ano e insiste na previsão de 4,5% em 2010.

Por: Revista Carta Capital e Dieese

 
   
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