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20 de setembro: uma grande história, mas mal contada
19/09/2009

Ao aproximar-se o 20 de setembro, as nossas bravatas farrapas se aguçam por lembrar a luta que realizamos no passado por independência, justiça e liberdade: Ideais nobres e ainda muito atuais. Ainda mais quando vemos em nossos dias um colono sem terra sendo morto com um tiro pelas costas, quando apenas queria um pedaço de chão para viver e produzir alimentos.

Surge então em nossa mente os grandes herois farroupilhas: Bento Gonçalves da Silva, Davi Canabarro, Antônio de Souza Neto, Guiseppe Garibaldi e outros. Todos com suas espadas, garruchas e roupas esfarrapadas lutando por independência; todos brancos, fazendeiros abnegados com ajuda de estrangeiros.

Acontece que esta história oficial encobre (propositadamente) uma grande verdade que foi a contribuição dos negros na revolução farroupilha. Muitos autores enfatizam que esta percepção está inserida na já conhecida “invisibilidade” a que se costuma serem relegados os negros na história oficial de nosso país e de nosso estado.

A realidade mostra que os negros tiveram um papel preponderante na página de nossa história. Relatos dos imperiais da época mostram como os Lanceiros Negros (como assim ficaram conhecidos), eram numéricos e qualitativamente importantes, no dia em que começa a revolta, o Dr. Hildebrando, líder dos colonos alemães de são Leopoldo informa: “passo a comunicar aos meus patrícios alemães que um partido, pela maior parte composto de negros e índios, está ameaçando as autoridades desta Província” (BENTO, 1976, p. 172).

Esta discriminação histórica continua nos dias atuais, um exemplo disso são os 9 painéis dispostos no acampamento farroupilha, na edição 2009, os quais contam nossas façanhas fazendo menção aos heróis da época e não mencionam nenhum herói negro. Aliás, “esqueceram de um “detalhe,” cadê o povo que fez a história? Um total desrespeito aos lanceiros negros que geralmente eram colocados à frente das batalhas.

O vinte de setembro embora faça pulsar o nosso sangue farrapo e nos ajude valorizar nossas lutas, ainda mais nestes tempos em que uma paulista destrói o Rio Grande para a vergonha dos gaúchos, deveríamos comemorar o dia 14 de novembro pois foi nesta data em que nossos heróis tombaram vitimados pelo exército do imperador Pedro II, no chamado Massacre de Porongos. A chacina foi resultado de um traiçoeiro acordo entre um chefe dos farrapos e o comandante do exército imperial, Barão (futuro Duque) de Caxias, conforme vários autores tem afirmado

Esta é a história que precisamos recontar pois, “não basta pra ser livre ser forte, aguerrido e bravo,”é preciso contar a história como ela é.

Por: Secretaria de Igualdade Racional - CUT/RS

 
   
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