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Dieese traça perfil do setor metalúrgico no país
13/06/2007

Três décadas depois de escreverem uma das páginas mais importantes da história do movimento sindical no país, os metalúrgicos enfrentam novos desafios. A categoria agora tenta manter o poder aquisitivo conquistado após as greves no final da década de 70 e a luta para combater as desigualdades no mercado de trabalho.

Essas são as principais conclusões de um estudo feito pela Confederação Nacional dos Metalúrgicos (CNM) e pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O levantamento traçou um perfil de 1,805 milhão de metalúrgicos que trabalham no Brasil.

Segundo o documento, em 30 anos, os metalúrgicos sofreram com o fechamento de postos de trabalho e com a queda dos salários. 'Somente com o crescimento econômico dos últimos anos, os sindicatos puderam aumentar a pressão e a categoria começou a retomar o poder aquisitivo e a reconquistar espaço no mercado', afirma o presidente da CNM/CUT, Carlos Alberto Grana.

De acordo com o Dieese, do início de 2003 até abril de 2007, o setor registrou saldo positivo de 423,7 mil novos empregos formais. Esse número representa uma recuperação em relação à trajetória de queda nos oito anos anteriores. Conforme o estudo, entre 1995 e 2002, esse índice ficou negativo, com a eliminação líquida de 91,6 mil postos de trabalho.

Segundo a socióloga e técnica do Dieese Adriana Marcolino, a geração de empregos poderia ser ainda maior se a jornada de trabalho fosse reduzida de 44 horas para 40 horas semanais. 'Isso resultaria em mais 135 mil postos de trabalho', estima. Ela diz ainda que a criação de postos poderia ser dobrada caso fossem controladas as horas extras na indústria metalúrgica.

Em relação ao nível salarial, o levantamento também aponta melhoria, mas não em nível suficiente para recompor a renda média da categoria, que sofreu deterioração na última década. O estudo constatou aumento real (acima da inflação) de 6,79% nos últimos quatro anos. Apesar disso, a remuneração média da categoria, em 2005, equivalia a 81% do que os metalúrgicos recebiam em 1995. Em 2003, essa proporção chegou a 76%. Atualmente, o salário médio de um metalúrgico está em R$ 1.670 mensais.

Segundo Carlos Grana, um dos fatores que prejudica a reposição salarial é a alta rotatividade no mercado de trabalho. 'Como muitos metalúrgicos não ficam muito tempo no emprego, esse movimento intenso de contratações e demissões prejudica os ganhos salariais porque os novos operários costumam ser admitidos por salários menores', explica o presidente da CNM/CUT. O estudo constatou que a taxa de rotatividade no setor, em 2006, foi de 28,6%, valor considerado expressivo.

Outro problema, diz Carlos, é a diferença de salários entre as regiões. O Dieese constatou que, enquanto no Sudeste um metalúrgico ganha 10% além da média nacional, no Centro-Oeste esse índice é 44% menor que essa média. 'Muitas empresas se deslocam de centros industriais para buscar incentivos fiscais e mão-de-obra mais barata', declara. 'Os empresários alegam que o custo de vida é menor nessas regiões para justificar os salários mais baixos.'

Para reduzir essa desigualdade, Carlos afirmou que, no 7º Congresso Nacional dos Metalúrgicos da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que começou ontem (12) e vai até sexta-feira (15), em São Paulo, a categoria vai propor um piso salarial nacional para os metalúrgicos durante as negociações para o contrato coletivo. 'Isso vai garantir condições mínimas para todos os metalúrgicos e evitar essa diferença regional que ainda persiste no país', explica.

Por: Agência Brasil - Radiobrás

 
   
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