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ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA CUT
01/10/2010

Artur Henrique, ao "ABCD Maior": além de presidente e governadores, precisamos de parlamentares comprometidos com a classe trabalhadora

Representante de 38% dos trabalhadores brasileiros, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) incentiva o voto em candidatos que defendem os interesses da classe trabalhadora em todos os cargos nas eleições deste ano. O presidente da central, Artur Henrique, apóia o projeto de desenvolvimento para o País representado pelo presidente Lula e pela candidata do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, Dilma Rousseff, mas diz que a possível vitória da petista não muda a característica de “governo em disputa” que marcou a gestão de Lula. O sindicalista critica a necessidade de alianças que descaracterizam a ação política do grupo governista e defende a “Plataforma da CUT para as Eleições 2010” como diretriz ao governo de Dilma.

ABCD MAIOR – Qual sua avaliação da campanha eleitoral deste ano?

Artur Henrique – Nós conseguimos mostrar o que foi feito no governo Lula e comparar com o período do Fernando Henrique Cardoso. A oposição se perdeu desde o início deste processo, escondeu o FHC e não tiveram o que defender, sem projeto para o País. Acho que a vitória do projeto de continuidade do que foi o governo Lula será expressiva no Brasil inteiro e será comprovada nas urnas no próximo domingo. Mas, a campanha também mostra que precisamos retomar o debate da reforma política. Se não fizermos a reforma e rápido este processo político e a forma como fazemos política tende a ser ruim para nós da esquerda.
Na minha avaliação a militância se acomodou, as pessoas não vão mais para as ruas, o que era um diferencial nosso. Precisamos retomar o debate da organização de base.

ABCD MAIOR – Apesar da CUT manter visão crítica da gestão pública, inclusive sobre a do Partido dos Trabalhadores, porque a central ainda é considerada correio de transmissão do governo federal?

Artur Henrique – Durante o governo do FHC, nós não tínhamos espaço de negociação, de diálogo e não tínhamos conquistas. No governo Lula abre-se o espaço de negociação e participação das centrais sindicais.
Nem tudo o que nós reivindicamos foi aceito. Continuamos brigando por um monte de coisas, como a democratização do Conselho Monetário Nacional. Aliás, foi só na terceira Marcha da Classe Trabalhadora – que envolve dezenas de milhares de pessoas, mas não sai na grande mídia –, que nós conquistamos a política de valorização do salário mínimo. A CUT continua tendo independência e autonomia, mas ela tem lado na disputa de projetos políticos. Nós não queremos o sindicalismo de ir para cima do carro de som, fazer discurso de esquerda, revolucionário e combativo e de mandar tudo para a Justiça, esta Justiça burguesa. Queremos o sindicalismo organizado a partir do local do trabalho.

ABCD MAIOR – Nos últimos quatro anos o Ministério do Trabalho ficou sob a influência da Força Sindical. O que representou isso para a CUT?

Artur Henrique – Representou um projeto marcado pela falta de um olhar republicano. Diferente de quando o ministério esteve na mão do PT, agora as pessoas têm sido indicadas para trabalhar nas DRT’s (Delegacias Regionais de Trabalho) de vários Estados sem discussão com os atores sociais. A não ser a Força Sindical, todas as centrais reclamam da área de registro sindical, que é uma área extremamente sensível dentro do Ministério. O governo precisa ter alianças e partidos que dêem sustentação para a aprovação de projetos que interessam ao governo no Congresso Nacional, mas um ministério não pode ser entregue com a “porteira fechada.” Acho que a gente tem que fazer o debate da divisão de poder em todos os ministérios.

ABCD MAIOR – Isso pode melhorar com um possível governo Dilma?

Artur Henrique – Eu acho que nós vamos continuar tendo um governo em disputa. Em 2003, quando o Lula assumiu, tinha gente que acreditava que a luta de classes tinha acabado. Nós não chegamos ao poder. Nós ganhamos a eleição. O movimento sindical tem que continuar fazendo a disputa de projeto, mostrar de que lado estamos, porque queremos esta ou aquela pessoa eleita para aprovar os projetos de nosso interesse.
Agora, temos que continuar tendo independência e autonomia para mobilizar, continuar fazendo pressão para garantir que as decisões sigam para o lado que nós estamos defendendo.

ABCD MAIOR – E como fazer isso?

Artur Henrique – Não adianta as pessoas votarem no projeto da Dilma Rousseff para a Presidência da República e num deputado federal ou num senador da direita, ou num governador que não tenha nada a ver com aquele projeto. Precisamos ter base de sustentação no Congresso Nacional, mas precisamos ter gente eleita que tenha compromisso com os trabalhadores. Daí o papel da “Plataforma da CUT para as Eleições 2010”. No governo Lula a gente fez a Marcha da Classe Trabalhadora e pressionou o governo até que ratificasse a Convenção 158 da OIT (que veda a demissão arbitrária). Foi uma vitória histórica, mas a votação dela está parada porque não conseguimos ter uma correlação de forças no Congresso que seja favorável aos trabalhadores. Isso muda quando você tiver tantos votos que não precise fazer política de alianças tão ampla a ponto de descaracterizar parte da sua ação política.
O governo Lula tirou 30 milhões de pessoas da miséria absoluta e colocou no mercado de consumo. Estas pessoas têm consciência política-ideológica que elas saíram da miséria por conta de um projeto político-partidário de desenvolvimento? A minha preocupação é que estas pessoas percebam a importância de que este projeto continue e transformem isso em votos na eleição.

ABCD MAIOR – Qual a principal bandeira da CUT para um 3º mandato do PT à frente do governo federal?
Artur Henrique – Continuamos preocupados com a valorização do trabalho como elemento central deste modelo de desenvolvimento. Na plataforma da CUT para as eleições defendemos a valorização do trabalho, com mais e melhores empregos, a luta contra o trabalho escravo, contra o trabalho infantil e a necessidade de implantação da agenda de trabalho decente. Também precisamos construir obstáculos contra a rotatividade para evitar a redução de custos através desta prática. Outra prioridade é a defesa da igualdade, da distribuição de renda e inclusão social, que envolve propostas para políticas públicas de educação e saúde, para as questões urbanas e rurais, importância de investir em economia solidária e agricultura familiar.


Por: ABCD Maior

 
   
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