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Conjuntura econômica: rotatividade é maior nos salários mais baixos
28/12/2010

Nos 12 meses que marcam a recuperação da economia brasileira no pós-crise, 66,7% dos trabalhadores contratados foram empregados com remuneração até 1,5 salário mínimo. Os trabalhadores inseridos nessa faixa salarial, porém, também foram os que mais deixaram suas vagas - 62,7% do total de desligamentos em igual período, os 12 meses compreendidos entre novembro de 2009 e outubro deste ano.

Essa forte rotatividade foi maior do que a registrada no mesmo período de 12 meses entre o fim de 2007 e 2008, quando a economia também vivia um período de forte aquecimento da atividade e da criação de empregos . Naqueles meses, antes da crise mundial, os trabalhadores que recebiam até 1,5 salário mínimo foram 63,2% dos contratados e 59,3% dos desligados de suas funções.

A rotatividade das pessoas que recebem mais de 1,5 salário mínimo, por outro lado, está menor. Entre novembro de 2007 e outubro de 2008, as pessoas que recebiam mais de 1,5 salário mínimo por mês representaram 40,6% dos desligamentos, patamar 3,4 pontos percentuais superior ao registrado nos 12 meses terminados em outubro de 2010. Agora, o PIB avança em um ritmo de 7,5% ao ano, um pouco superior aos 6,5% daqueles outros 12 meses.

O dinamismo nas vagas que pagam menos cresceu em um cenário de incremento do emprego com carteira assinada. Nos 12 meses terminados em outubro de 2008, 1,9 milhão de vagas com carteira assinada foram geradas, ritmo então recorde, mas inferior aos 2,2 milhões de empregos formais criados entre novembro de 2009 e outubro de 2010.

"Quanto aumenta a oferta de empregos, cresce a demanda por todo tipo de função. Mas como a maior parte dos empregos no país paga salários mais baixos, é justamente essa fatia que aumenta de tamanho", avalia Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios, em referência às vagas que pagam até 1,5 salário mínimo.

As vagas que pagam rendimentos menores incluem diferentes realidades. O grande número de desligamentos inclui desde o trabalhador pouco qualificado, que "incentiva" as empresas a ampliar a rotatividade em busca de funcionários com melhor qualificação, até casos de primeiro emprego, cujo desligamento é motivado pelo próprio trabalhador, que sai para ganhar salários maiores. Além disso, diz Leite, "os salários menores são também mais baratos para trocar, pensando pela lógica empresarial, uma vez que os encargos são inferiores".

Segundo Luiza Rodrigues, especialista em mercado de trabalho do Santander, o país tem se "especializado", nos últimos anos, na geração de empregos em setores como serviços, construção civil e comércio, em detrimento do segmento industrial, que registrou, nos seis meses a partir de novembro de 2008, saldo líquido negativo de 501,2 mil vagas - o segundo pior resultado, na construção civil, foi de "apenas" 60 mil vagas cortadas.

"Setores como construção civil e serviços pagam salários menores, via de regra, que a indústria, e como demandam trabalhadores menos qualificados, também acabam por registrar alta rotatividade", diz Luiza.

Além disso, afirma a economista, o ganho real do salário mínimo registrado nos últimos anos também altera o impacto nas faixas de rendimentos. O salário mínimo vigente em março de 2008 era de R$ 415, enquanto desde janeiro de 2010 o mínimo está em R$ 510. Assim, um trabalhador de carteira assinada, que em 2008 recebia mais de R$ 622, estava inserido na faixa "entre 1,5 e 2 salários mínimos", do Ministério do Trabalho, enquanto que, ao longo de 2010, o patamar de rendimentos até 1,5 salário mínimo representa remuneração mensal até R$ 765.

Entre os trabalhadores com carteira assinada que embolsam mais de 1,5 salário mínimo - acima de R$ 765 por mês atualmente - a rotatividade é menor, porque em momentos de aquecimento econômico, como o atual, as empresas procuram mais profissionais especializados e com maior qualificação. "Os salários maiores são pagos aos trabalhadores com mais tempo de serviço e, consequentemente, mais qualificados e importantes para as empresas", diz Leite.

As pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos representaram apenas 2,9% dos desligamentos nos 12 meses terminados em outubro deste ano, mas foram 3,5% dos demitidos nos 12 meses terminados em outubro de 2008.

O movimento do mercado de trabalho, com dinamismo entre os que recebem menos e com pouca rotatividade nos maiores salários, deve continuar nos próximos anos, avalia Leite. Segundo o especialista, o processo de formalização do trabalhador que estava no mercado informal, cujos salários são menores, continuará se acelerando.

Além disso, diz Leite, o "desempregado por desalento" - aquele trabalhador que está fora do mercado de trabalho e não procura emprego - costuma se motivar quando o ritmo da economia acelera. "Quando essa massa de reserva voltar a buscar emprego, isso vai puxar os salários para baixo e intensificar essa dinâmica de alta rotatividade entre os que recebem até 1,5 salário mínimo".

Por: Valor Econômico

 
   
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